Admitir para si mesmo é sempre a melhor escolha
Quanto tempo se passou desde que escrevi a última vez? Não consigo me recordar, minha memória não acompanha os processos pelos quais a minha vida passa. Ás vezes, tudo o que você precisa é tirar da sua mente tudo o que você não consegue compreender, o que você não consegue decifrar.
Hoje, estou num momento da minha vida muito importante, um para o qual nem eu estava preparada, apesar de muito o desejar e o almejar. Hoje, preciso ser forte e encarar mais uma batalha para garantir essa importante etapa da minha vida. Hoje, sei que não tenho como fugir da responsabilidade de lutar pelos meus sonhos, por mais que muitas vezes eu tenha sentido uma vontade de desistir de cada um deles. Hoje, eu encaro a mim mesma e aos meus sonhos, reflito se foram realmente meus.
A tristeza me assombra como uma velha amiga em seus dias ruins, andando ao meu lado, embaçando a minha visão sobre tudo e todos ao meu redor. As pessoas não entendem, é claro, pois como poderiam entender? Me acostumei com ela, e por um tempo esqueci até mesmo esqueci de que estava ali. Ela não foi embora, eu sei, mas todo dia tento pensar em alguma solução para que ela me deixe permanentemente. Não sei exatamente se há algum problema se ela nunca me deixar de vez.
Sabe, minha última leitura se chama "Pachinko", um drama histórico que conta a vida de coreanos que foram obrigados a imigrar para o Japão durante a ocupação japonesa na Coreia. Esse livro me tocou muito, se tornou um dos meus favoritos em toda a minha existência, ultrapassando até mesmo o insuperável (até agora) "O conde de Monte Cristo".
Nesse livro, há um personagem em específico que tocou profundamente a minha alma, que de cara me identifiquei ,(não sabia disso enquanto estava lendo, apenas agora refletindo sobre ele), denominado "Noa", o primeiro filho de Sunja, um filho amado e respeitado, até mesmo idolatrado por seus pais, pois ele se destacava pela sua inteligência, pelo seu amor ao estudo, e pela sua vontade de melhorar como ser humano, características que emocionavam e inspiravam todos ao seu redor.
Entretanto, Noa queria mais do que tudo ser considerado um "bom coreano", uma vez que todos os coreanos eram alvos de preconceito por parte dos japoneses, o que o ligou à ideia da existência propagada pelos japoneses de um "bom coreano" e um "mau coreano". Noa queria mesmo ser japonês, a maior idealização da perfeição no mundo em que vivia, o que nunca iria ocorrer, não bastasse o quão bom ele fosse. Noa queria ser perfeito aos olhos de todos, e, sabendo que isso nunca iria acontecer, ele se mata ao final do livro, pois sentia que a sua origem e seu passado eram a mancha da sua existência, uma que ele jamais poderia apagar.
Não quero sentir que tenho que ser uma pessoa perfeita, pois eu jamais serei, não importa os meus esforços para ser amada e admirada (sorria, seja simpática, seja gentil, seja acolhedora, não deixe ninguém jamais saber as suas verdadeiras emoções), sou uma pessoa que se sente mal até mesmo quando tudo aparentemente está indo bem.
Sou uma pessoa que deseja mais do que pode ter, mais do que pode ser. Eu tenho meus pecados só em existir, só em pensamentos. Mas espero que eu possa conviver em paz com as minhas imperfeições e com as imperfeições dos outros, porque quando não aceitamos os nossos próprios erros, não conseguimos aceitar os erros de mais ninguém. E qualquer erro dos nossos semelhantes nos fere profundamente, nos leva a um abismo chamado "Erros imperdoáveis". O que eu realmente quero, e preciso, é me acostumar com a ideia de que tudo bem não estar tão bem, que as coisas levam tempo mesmo, e isso não é um problema.
Quero sentir que ainda há tempo para muitas coisas, independente da idade, e fugir um pouco das amarras sociais e familiares, que acompanham toda mulher desde o nascimento e que estão impregnadas no meu ser e em todas as minhas atitudes desde que me conheço por gente. O ditado do livro "O destino de uma mulher é sofrer" não pode ser verdade, não podemos deixar que se torne uma realidade. Eles dizem: "Anda, você PRECISA fazer isso logo, antes que fique VELHA". Mas eu quero ter a coragem de dizer: "Qual o seu problema com o meu próprio tempo de conseguir as minhas realizações? Não existem muitos homens velhos começando algo pela primeira vez?". No final disso tudo, o que eu quero dizer é: permita-se ser imperfeito. Vai ficar tudo bem.
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